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Diabetes

Metformina: mecanismo de ação desvendado?

Escrito por Luciano Albuquerque

Desde a publicação dos resultados do estudo UKPDS, onde seu uso reduziu complicações micro e macrovasculares em portadores de diabetes tipo 2 obesos, a metformina é apontada como agente de primeira linha no tratamento desses pacientes. A redução da produção hepática de glicose (PHG) é apontada por muitos como o principal mecanismo de ação da metformina, entretanto os estudos divergem na relação de magnitude deste efeito com o controle glicêmico.

Em publicação recente, capitaneada por serviços brasileiros, um novo mecanismo foi apontado. Segundo os dados apresentados, o benefício metabólico da metformina é ligado às suas ações no intestino. A metformina promove aumento na captação intestinal de glicose (basal intestinal glucose uptake– BIGU) pela membrana basolateral dos enterócitos. No estudo os autores avaliaram a captação de glicose por PET/CT em indivíduos diabéticos e em controles. Foi observada maior BIGU ao longo de todo o intestino em usuários de metformina. Tal captação estava associada a maior fosforilação de AMP quinase e a expressão dos transportadores GLUT1 e GLUT2.

A BIGU, enfim, teria um papel na modulação da PHG. Os efeitos se mostraram dependentes da glicemia. Em condições hiperglicêmicas, o aumento da captação leva a redução da produção hepática de glicose. Já na normoglicemia, o mesmo evento induz hipoglicemia na veia porta que gera uma resposta contrarreguladora que pode aumentar. A maior BIGU seria atrelada a uma maior ativação da via glicolítica gerando lactato e acetato. O lactato reduz o bicarbonato e o pH na veia porta, enquanto o acetato estaria ligado a inativação de transportadores MPC1 e 2, modulando etapas iniciais da gliconeogênese hepática firmando o “crosstalk” entre os órgãos.

Os dados, apesar de complicados na primeira leitura, trazem informações importantes sobre o mecanismo de ação da metformina nas diferentes vias envolvidas no metabolismo da glicose, destacando a interação entre o intestino e o fígado. Tais achados serão base para novos estudos e novas possibilidades de abordagem terapêutica para o diabetes tipo 2. Que os novos estudos tragam novas possibilidades!



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Sobre o autor

Luciano Albuquerque

Preceptor da residência em Endocrinologia do HC-UFPE e da residência em Clínica Média do Hospital Otávio de Freitas. Presidente da SBEM regional Pernambuco no biênio 2019-2020.

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