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Obesidade

Obesidade e DHGNA: cirurgia bariátrica reduz desfechos cardiovasculares?

bariátrica
Escrito por Ícaro Sampaio

A doença hepática gordurosa não alcoólica – DHGNA é uma manifestação hepática da síndrome metabólica, estando intimamente ligada à resistência à insulina. A prevalência de DHGNA aumenta com o índice de massa corporal (IMC) e é maior entre os indivíduos com obesidade grave (IMC ≥40 kg/m2), dos quais 85% possuem DHGNA e 40% têm esteatoepatite. Como já discutimos anteriormente neste site, a DHGNA é um importante fator de risco para morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares – DCV, independentemente dos fatores de risco tradicionais como hipertensão e dislipidemia.

Dentre as possibilidades de abordagem para os pacientes portadores de DHGM, está a cirurgia bariátrica. Uma revisão sistemática e metanálise de 32 estudos de pessoas submetidas à cirurgia bariátrica, incluindo 3.093 biópsias hepáticas obtidas durante e após a cirurgia bariátrica, relatou que 66% tiveram resolução completa da esteatose, enquanto 50% e 76% tiveram resolução da inflamação e balonismo, respectivamente.

Embora a cirurgia bariátrica tenha sido associada a melhorias a longo prazo nas características histológicas da DHGNA e reduções no risco de DCV em indivíduos com obesidade, a associação entre cirurgia bariátrica e risco de DCV não foi completamente investigada em todo o espectro da doença hepática gordurosa. Nesse contexto, foi publicado no Jama Network Open um grande estudo de coorte que buscou responder a seguinte pergunta: A cirurgia bariátrica reduz o risco de desfechos cardiovasculares em adultos com obesidade grave e DHGNA?

O estudo incluiu 86.964 adultos de 18 a 64 anos com DHGNA e obesidade grave, sem histórico de cirurgia bariátrica ou DCV antes do diagnóstico de esteatose.  Os pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica – 34,8% (bypass gástrico em Y de Roux, gastrectomia vertical e outros procedimentos bariátricos) foram comparados àqueles que permaneceram com cuidados não cirúrgicos – 65,2%. O desfecho composto primário incluiu infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral isquêmico, e o desfecho composto secundário incluiu eventos cardíacos isquêmicos secundários, ataque isquêmico transitório, eventos cerebrovasculares secundários, embolia e trombose arterial, além de aterosclerose.

No grupo cirúrgico, 1.568 indivíduos apresentaram eventos cardiovasculares em comparação com 7.215 indivíduos no grupo não cirúrgico, uma diferença de taxa de incidência de 4,8 por 100 pessoas-ano. No final do estudo, a cirurgia bariátrica foi associada a um risco 49% menor de DCV (aHR, 0,51; IC 95%, 0,48-0,54) em comparação com os cuidados não cirúrgicos. O risco do desfechos primários foi reduzido em 47% (aHR, 0,53 [IC 95%, 0,48-0,59), e o risco do desfecho secundário diminuiu em 50% (aHR, 0,50; IC 95%, 0,46-0,53 ) em indivíduos com vs sem cirurgia.

Como destacaram os autores, “os resultados fornecem evidências em apoio à cirurgia bariátrica como uma ferramenta terapêutica eficaz para reduzir o risco elevado de DCV em indivíduos selecionados com obesidade e DHGNA”. Vale ressaltar que o guideline AACE 2022 recomenda considerar a cirurgia bariátrica como uma opção para tratar a DHGNA e melhorar a saúde cardiometabólica em pessoas com DHGNA e um IMC ≥ 35 kg/m2, particularmente se o DM2 estiver presente.



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Sobre o autor

Ícaro Sampaio

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Editor Endocrinopapers
Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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