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Diabetes Manchetes

Congresso EASD 2023: Tirzepatida + Glargina versus Lispro + Glargina no DM2

insulina
Escrito por Ícaro Sampaio

A primeira etapa da insulinoterapia de pacientes com diabetes mellitus tipo 2 consiste no início de uma insulina basal, com o objetivo principal de controlar a hiperglicemia em jejum e reduzir hemoglobina glicada. Quando esta etapa falha, o próximo passo seria em utilizar uma associação fixa de insulina basal e agonista de receptor de GLP-1, ou associar uma insulina prandial nas principais refeições do dia, de modo que alguns pacientes necessitarão de insulinoterpia em múltiplas doses diárias, o famoso esquema “basal-bolus”. 

Esta semana, está ocorrendo o EASD 2023 59th Annual Meeting, mais conhecido como congresso europeu de diabetes. Hoje foram apresentados os resultados do estudo SURPASS-6, publicado simultaneamente no JAMA. Trata-se de um ensaio clínico de fase 3b, aberto, multicêntrico, de grupos paralelos, randomizado, com duração de 52 semanas que foi conduzido em 135 centros de pesquisa médica e hospitais, incluindo o Brasil. 

O SURPASS-6 inclui participantes portadores de Diabetes Mellitus tipo 2 mal controlado com insulina basal, com HbA1c entre 7,5% e 11% e índice de massa corpórea entre 23 e 45 kg/m2. Foram randomizados para uso de Tirzepatida semanal (5, 10 ou 15 mg) ou insulina lispro nas três principais refeições do dia, associadas à insulina glargina. O estudo foi desenhado para demonstrar a não inferioridade da tirzepatida em relação à insulina listro no que se refere à redução da HbA1c.

O estudo incluiu  1.428 participantes, com HbA1c média de 8,8% e 14 anos de duração do diabetes. A alteração média na hemoglobina HbA1c na semana 52 foi de -2,1% com tirzepatida vs -1,1% com insulina lispro. O peso melhorou nos participantes que receberam tirzepatida em comparação com aqueles que receberam insulina lispro, com -10 kg e +4 kg, respetivamente. A taxa de hipoglicemia clinicamente significativa (glicemia <54 mg/dL) ou hipoglicemia grave foi dez vezes menor com a tirzepatida em comparação com a insulina lispro.

Pela primeira vez na história, um medicamento demonstra potência superior à insulinoterapia com múltiplas doses para tratamento da hiperglicemia no diabetes mellitus tipo 2. O congresso europeu já começou bastante animado!!



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Sobre o autor

Ícaro Sampaio

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Editor Endocrinopapers
Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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