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Metabolismo Ósseo

Densitometria óssea na infância e adolescência

Escrito por Erik Trovao

Nos últimos anos, tem havido uma preocupação crescente com a saúde óssea de crianças e adolescentes tanto porque um comprometimento da aquisição do pico de massa óssea no final da segunda década de vida poderá impactar negativamente a saúde óssea na vida adulta, aumentando o risco de osteoporose, como porque tem sido documentado um aumento do número de fraturas de fragilidade em crianças. Desta forma, tem-se cada vez mais solicitado densitometria óssea na infância e adolescência.

Afinal, a densitometria óssea é considerada o exame padrão-ouro para avaliação da massa óssea mesmo na faixa etária pediátrica, uma vez que é um método seguro, com baixa exposição à radiação, acessível, não invasivo e custo-efetivo. Portanto, é preciso conhecer as particularidades da avaliação da densitometria óssea na infância.

  1. Medidas consideradas: na faixa etária pediátrica, devemos considerar apenas o resultado do Z-escore, que reflete a comparação da densidade mineral óssea (DMO) com a média da população da mesma idade, sexo e etnia. Nunca se deve utilizar o T-escore.
  1. Sítios avaliados: os sítios recomendados para avaliação densitométrica em crianças e adolescentes para a medição da DMO são diferentes dos utilizados em adultos. Até os 19 anos de idade, dois sítios devem ser utilizados: coluna lombar (vértebras de L1 a L4) e o corpo inteiro sem a cabeça. No entanto, em crianças com menos de 3 anos de idade, recomenda-se apenas o uso de coluna lombar. Há limitação do corpo inteiro nesta faixa etária pela ausência de dados de referência para cálculo do Z-escore e pela dificuldade de posicionamento.

A cabeça deve ser excluída na aquisição do corpo inteiro porque o crânio corresponde a uma parte significativa da massa óssea total, mas não sofre perda considerável na presença de doenças crônicas e nem responde adequadamente às intervenções medicamentosas.

Em relação ao fêmur proximal, sítio clássico do adulto, não devemos utilizá-lo ao realizar densitometria óssea na infância e na adolescência. Entretanto, o International Society for Densitometry (ISCD) considera que o fêmur proximal pode ser utilizado nos pacientes com redução da carga mecânica dos membros inferiores para melhor avaliação da perda de massa óssea nesta região. Para isso, no entanto, é preciso que existam dados de referência para o cálculo do Z-escore.

Um outro sítio alternativo, também recomendado em situações especiais pelo ISCD, é o fêmur distal lateral. Desde que existam dados de referência para cálculo, ele pode ser utilizado em crianças com condições clínicas que levem à imobilização, já que a DMO deste sítio tem uma boa correlação com o aumento do risco de fratura nas extremidades inferiores

  1. Interpretação: Z-escore -2.0 em qualquer um dos sítios avaliados indica o diagnóstico de baixa massa óssea para idade, mas não de osteoporose. Só podemos falar em osteoporose na faixa pediátrica se houver presença de fratura de fragilidade, de forma que a densitometria óssea isoladamente não fornece este diagnóstico. Vale também ressaltar que, segundo o ISCD, o termo “osteopenia” não deve ser utilizado nesta faixa etária.

Dito isso, ainda é preciso ter cuidado na hora de definir osteoporose em crianças e adolescentes, pois nem sempre bastar ter a presença de uma única fratura de fragilidade para o diagnóstico. Segundo o ISCD, os critérios para osteoporose em pacientes pediátricos são os seguintes:

A. Presença de uma ou mais fraturas vertebrais compressivas, na ausência de doença local ou de trauma de alto impacto, independente do resultado da densitometria;

B. Associação de baixa massa óssea para idade (Z-escore -2.0 em coluna lombar e/ou corpo inteiro sem cabeça) e história de fraturas de fragilidade clinicamente significativas. Esta últimas são definidas como: duas ou mais fraturas de ossos longos até os 10 anos; ou três ou mais fraturas em qualquer idade até os 19 anos.

  1. Limitações: a principal limitação da densitometria óssea na infância e adolescente se faz presente nos indivíduos com baixa estatura, uma vez que o aparelho mede a densidade areal do esqueleto e não a volumétrica. Assim, a perda de massa óssea em ossos pequenos pode ser superestimada. A melhor forma de corrigir este problema não é ainda consenso e vários métodos são sugeridos, como: considerar a idade estatural e não a cronológica na hora de realizar o exame; ou calcular a densidade mineral óssea aparente da coluna, através da fórmula CMO da coluna Ap1,5, onde CMO é o conteúdo mineral ósseo e Ap é a área projetada.

Adolescentes com atraso puberal também podem determinar resultados falseados pelo exame devido ao atraso da maturação esquelética. Nestes casos, sugere-se que se considere a idade óssea em substituição à idade cronológica.

Percebe-se, portanto, que a realização de densitometria óssea em crianças e adolescentes precisa ser realizada e interpretada com muito cuidado, precisando da maior atenção para que erros diagnósticos não sejam cometidos.



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Sobre o autor

Erik Trovao

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