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Metabolismo Ósseo

Doença de Paget óssea: o que precisamos saber

Escrito por Erik Trovao

Doença de Paget óssea é um distúrbio osteometabólico raro, embora tenha uma prevalência maior em algumas áreas geográficas, como Reino Unido e Austrália. No Brasil, Recife e Florianópolis concentram a maioria dos casos. Caracteriza-se por uma hiperativação anormal dos osteoclastos, o que leva a uma resposta compensatória dos osteoblastos, com consequente desorganização do tecido ósseo e desenvolvimento de esclerose.

No entanto, a etiopatogenia desta hiperatividade osteoclástica ainda não é completamente compreendida. Acredita-se que tanto fatores genéticos quanto ambientais possam estar envolvidos. Estima-se que até 40% dos casos de doença de Paget tem história familiar e o sequestrossomo tem sido o gene mais implicado nestes casos familiares. Entre os fatores ambientais potencialmente envolvidos, têm sido proposta a infecção por paramixovírus e o tabagismo.

A doença de Paget óssea pode ser monostótica (envolve apenas um osso) ou poliostótica (envolve mais de um osso). Os sítios ósseos mais frequentemente envolvidos são: pelve, fêmur, vértebras, crânio e tíbia. Embora 70% dos casos sejam assintomáticos (especialmente quando monostótica), a doença pode se caracterizar clinicamente pela ocorrência de dor óssea no sítio acometido, por deformidade e, menos frequentemente, por fratura do osso pagético.

Dependendo da localização, podem ocorrer algumas complicações, como perda auditiva, cefaleia, compressão medular e osteoartrite. Mas a complicação mais temida é a transformação neoplásica para osteossarcoma, que ocorre em menos de 1% dos casos.

O diagnóstico é radiológico através da identificação das alterações clássicas em uma radiografia simples: lesões líticas concomitantes a áreas de esclerose. A cintilografia óssea pode auxiliar a identificar quais sítios devem ser radiografados, mas é pouco específica e pode ser negativa mesmo na presença de lesão pagética.

Laboratorialmente, a doença se caracteriza pela elevação dos níveis séricos de fosfatase alcalina, sendo comum o diagnóstico ocorrer em indivíduos assintomáticos após detecção de níveis elevados deste marcador em exames de rotina. No entanto, em até 20% dos indivíduos acometidos, seus níveis podem ser normais. Nestes casos, pode-se lançar mão de outros marcadores, como NTx e P1NP. Níveis séricos de cálcio, fósforo e PTH são classicamente normais, mas a hipercalcemia pode se instalar em casos de imobilização prolongada ou quando houver hiperparatireoidismo primário associado.

O tratamento de escolha é o ácido zoledrônico e está indicado especialmente nos casos sintomáticos. O principal benefício da terapia é a melhora da dor, que deve ser, então, o principal parâmetro clínico para avaliação da resposta terapêutica. Espera-se também que ocorra normalização dos níveis de fosfatase alcalina.



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Sobre o autor

Erik Trovao

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