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Diabetes

Inibidores de SGLT2 diminuem o risco de nefrolitíase

Escrito por Erik Trovao

Embora não seja uma complicação comumente lembrada quando falamos em diabetes mellitus tipo 2 (DM2), o risco de nefrolitíase é aumentado nesta população, especialmente a formação de cálculos de ácido úrico. Os indivíduos com diabetes que desenvolvem nefrolitíase parecem excretar mais oxalato de cálcio na urina, além de ter um pH urinário mais baixo (fator de risco para formação de cálculos de ácido úrico).

Com o surgimento dos inibidores de SGLT2, considerou-se a hipótese de que estas medicações pudessem reduzir o risco de nefrolitíase no paciente com DM2. Metanálises e estudos observacionais prévios que se propuseram a avaliar esta hipótese apresentam dados conflitantes.

No entanto, estudo publicado recentemente no JAMA parece ter elucidado esta questão. Foi um estudo de coorte que avaliou novos usuários de inibidores de SGLT2, comparando-os com usuários de análogos de GLP1 e de inibidores de DPP-IV nos Estados Unidos, entre 2013 e 2020.

Foram incluídos cerca de 716 mil indivíduos com DM2 usando inibidor de SGLT2 ou análogo de GLP1 e cerca de 662 mil participantes com DM2 em uso de inibidor de SGLT2 ou inibidor de DPP-IV.  O desfecho primário foi o diagnóstico de nefrolitíase.

Na coorte de inibidor de SGLT2 versus análogo de GLP1, houve redução do risco de nefrolitíase (14,9 eventos por 1000 pessoas/ano versus 21,3 eventos por 1000 pessoas/ano). Na coorte de inibidor de SGLT2 versus inibidor de DPP-IV, também houve redução do risco (14,6 eventos por 1000 pessoas/ano versus 19,9 eventos por 1000 pessoas/ano). As curvas de incidência cumulativa começaram a se separar já com 1 mês nas duas coortes.

Entre as possíveis explicações para este achado, os autores citam os seguintes efeitos dos inibidores de SGLT2: aumento da excreção urinária de citrato; aumento da excreção de bicarbonato com consequente elevação do pH urinário; ação anti-inflamatória no tecido renal; e aumento do fluxo urinário.

Os autores sugerem que o achado deste estudo indica que deveríamos levar em consideração o perfil de risco do paciente com diabetes para formação de cálculos renais no momento de optar por algum anti-diabético oral, priorizando os inibidores de SGLT2 nestes casos.



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Sobre o autor

Erik Trovao

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