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Diabetes Sem Categoria

Redução do risco de hospitalização com iSGLT2: ampliando os benefícios.

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Escrito por Luciano Albuquerque

No congresso da EASD em 2015, foram apresentados os resultados do estudo EMPA-REG. Uma plateia quase em transe vibrava a cada novo dado demonstrando redução de desfechos cardiovasculares e de mortalidade em pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco para tais eventos. Diversos estudos se sucederam e sedimentaram a capacidade de reduzir o risco de eventos cardiovasculares e renais em pacientes com ou sem diabetes dos inibidores do SGLT2. A classe é recomendada atualmente como terapia de primeira linha para pacientes com DM2 e doença aterosclerótica estabelecida, alto risco cardiovascular, insuficiência cardíaca ou nefropatia diabética. Um achado comum a esses estudos foi a redução do risco de hospitalização, principalmente por Insuficiência cardíaca.

Pessoas com diabetes correm maior risco de hospitalização, com consequente impacto na qualidade de vida dos pacientes, além do elevado custo aos sistemas de saúde públicos ou privados. Estudo recente publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology, procura ampliar os benefícios dos iSGLT2 na redução de hospitalizações. Em uma análise post-hoc do estudo DECLARE-TIMI 58, estudo com o maior número de participantes (n=17 160), com e sem doença cardiovascular aterosclerótica, com seguimento mais longo (mediana 4,2 anos) e maior número de hospitalizações, os autores avaliaram os efeitos da dapagliflozina na redução das hospitalizações por todas as causas.

O uso da medicação foi associado a um menor risco de primeira hospitalização não eletiva por qualquer causa (32,4% vs 35,4%; HR: 0,89) e de todas as hospitalizações (HR 0,92). O resultado foi consistente independente da presença de doença cardiovascular aterosclerótica no início do estudo (p interação=0·31). Em comparação com o grupo placebo, o grupo dapagliflozina teve menor risco de primeiras internações devido a distúrbios cardíacos, distúrbios nutricionais e metabólicos, distúrbios renais e urinários, distúrbios musculoesqueléticos e do tecido conjuntivo e infecções e infestações.

Os resultados reforçam a segurança dos inibidores de SGLT2, que embora associados a um aumento do risco de infecções genitais e urinárias, além do risco de cetoacidose euglicêmica, apresentaram menor número de internações por complicações relacionadas. Apontam ainda para uma possível ação pleiotrópica, conferindo uma proteção mais generalizada em pessoas com diabetes tipo 2, visto os benefícios permaneceram significativos mesmo quando distúrbios cardiovasculares, renais e metabólicos foram excluídos da análise. Essa ideia é reforçada por outras análises anteriores que demonstraram redução do risco de nefrolitíase, apneia obstrutiva do sono e de fibrilação atrial.

Os derivados da florizina, vistos inicialmente com desconfiança por ter ação meramente glicosúrica e com eficiência duvidosa no controle glicêmico, chegando a ser chamados de diuréticos de grife, vêm cada vez mais ampliando o espectro de benefícios aos seus usuários, se estabelecendo como um marco no tratamento do diabetes e das condições associadas.



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Sobre o autor

Luciano Albuquerque

Preceptor da residência em Endocrinologia do HC-UFPE e da residência em Clínica Média do Hospital Otávio de Freitas. Presidente da SBEM regional Pernambuco no biênio 2019-2020.

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