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Obesidade

Cirurgia Bariátrica: orientação nutricional.

gravidez apos cirurgia bariátrica
Escrito por Luciano Albuquerque

A cirurgia bariátrica é reconhecida como a opção de tratamento mais efetiva para pessoas com obesidade grave. Todos os procedimentos de cirurgia bariátrica afetam a nutrição em graus variados e podem causar deficiências de micronutrientes  clinicamente significativas. Dessa maneira, orientação nutricional adequada, com monitoramento laboratorial e suplementação de acordo com as demandas são fatores fundamentais no acompanhamento.

Pacientes candidatos à cirurgia bariátrica  devem passar por uma avaliação nutricional abrangente antes do procedimento. Exames laboratoriais essenciais incluem triagem para deficiências nutricionais, diabetes, dislipidemia, além de avaliação da função renal e hepática. Para cirurgias disabsortivas testes adicionais devem ser considerados, por exemplo, níveis séricos de vitamina A, zinco, cobre e selênio. As deficiências nutricionais identificadas devem ser corrigidas antes da cirurgia. Muitos centros recomendam uma dieta de baixa caloria/baixo carboidrato imediatamente antes da cirurgia. Como essas dietas nem sempre são nutricionalmente completas, um suplemento multivitamínico e mineral pode ser necessário.

Após a cirurgia bariátrica o acompanhamento deve ser regular e vitalício, buscando garantir que as necessidades nutricionais sejam atendidas e os riscos de deficiências nutricionais relacionadas sejam reduzidos. Em geral, o acompanhamento deve permanecer com o centro responsável pelo procedimento pelo menos durante os primeiros 2 anos. Após esse período, as pessoas devem realizar avaliação do estado nutricional pelo menos anualmente como parte do gerenciamento de cuidados.

Após todos os procedimentos bariátricos, recomenda-se um suplemento multivitamínico e mineral completo, buscando uma composição adequada para combater os efeitos de má absorção e da restrição alimentar; no entanto, suplementos adicionais sao geralmente necessários.

Suplementação adicional de ferro geralmente indicada (recomenda-se adicionar 200mg de sulfato ferroso ao dia). O uso combinado de frutas cítricas ou vitamina C aumenta a absorção do ferro. A suplementação de Cálcio e ferro devem ser tomadas com intervalo de 2h, pela interferência na absorção entre os dois elementos. As necessidades de ácido fólico (400mg/dia) geralmente são atendidas pelos multivitamínicos. Já a vitamina B12 deve ser reposta preferencialmente por via intramuscular pelo menos a cada 3 meses. A via sublingual pode ser uma alternativa.

Vitamina D na dose de 2000 a 4000 UI dia é recomendada, buscando a manutenção de níveis de 25(OH)VitD > 30 ng/ml. Após procedimentos disabsortivos, doses mais elevadas podem ser necessárias. O cálcio dietético deve ser preferido, sendo recomendado 1200 a 1500 mg ao dia (podendo chegar a 2400 mg para alguns casos). O citrato de cálcio pode ter maior biodisponibilidade por menor dependência de acidez gástrica, bem como menor risco de nefrolitíase, sendo colocado como forma preferencial em algumas diretrizes.

A maioria dos polivitaminicos têm quantidade suficiente de vitaminas A, E, K, B1, cobre, zinco, selênio e magnésio, não sendo recomendado suplementação adicional rotineira, exceto nos casos de deficiência.



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Sobre o autor

Luciano Albuquerque

Preceptor da residência em Endocrinologia do HC-UFPE e da residência em Clínica Média do Hospital Otávio de Freitas. Presidente da SBEM regional Pernambuco no biênio 2019-2020.

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