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Diabetes

Novas recomendações da ADA sobre manejo da hipertensão arterial no paciente com DM

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Escrito por Ícaro Sampaio

A hipertensão é comum entre pacientes com diabetes mellitus tipo 1 ou tipo 2, e trata-se de um importante fator de risco tanto para doenças cardiovasculares ateroscleróticas, quanto para complicações microvasculares. No entanto, há controvérsia sobre a recomendação de uma meta específica de pressão arterial em pessoas com diabetes.

Numerosos estudos mostraram que a terapia anti-hipertensiva reduz eventos cardiovasculares, insuficiência cardíaca e complicações microvasculares. Uma análise secundária pré-especificada do estudo ACCORD-BP mostrou que, ao combinar o controle glicêmico intensivo com o controle intensivo da pressão arterial, a taxa de desfechos cardiovasculares maiores foi significativamente reduzida em comparação com o controle padrão da pressão arterial e da glicemia.

A atual diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda uma meta de pressão arterial sistólica (PAS) < 130 mmHg, e pressão arterial diastólica (PAD) < 80 mmHg para a maioria dos pacientes com diabetes mellitus. No entanto, a diretriz mantem a definição de hipertensão como sendo PAS maior ou igual a 140 mmHg e/ou PAD maior ou igual a 90 mmHg, sendo este o limite para indicar início de terapia farmacológica.

O guideline 2023 da American Diabetes Association trouxe uma novidade no que se refere à definição de HAS no pacientes com diabetes.  A ADA  recomenda que :

“A hipertensão é definida como uma pressão arterial sistólica ≥ 130 mmHg ou uma pressão arterial diastólica ≥ 80 mmHg com base em uma média de ≥ 2 medições obtidas em ≥ 2 ocasiões. Pacientes com com pressão arterial ≥ 180/110 mmHg e doença cardiovascular podem ser diagnosticados com hipertensão em uma única consulta.”

Os autores destacam que a recomendação para a meta de pressão arterial <130/80 mmHg deriva principalmente da evidência coletiva de alguns ensaios clínicos randomizados. O estudo Strategy of Blood Pressure Intervention in the Elderly Hypertensive Patients (STEP), por exemplo, recentemente concluído, incluiu quase 20% das pessoas com diabetes e observou diminuição dos eventos cardiovasculares com o tratamento da hipertensão para uma meta de pressão arterial de <130 mmHg.

A ADA, no entanto, ressalta que as metas devem ser individualizadas. Os potenciais efeitos adversos da terapia anti-hipertensiva (por exemplo, hipotensão, síncope, quedas, lesão renal aguda e anormalidades eletrolíticas) também devem ser levados em consideração. Inclusive, pacientes com idade avançada, DRC e fragilidade demonstraram ter maior risco de efeitos adversos quando sob intensivo controle de pressão.



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Sobre o autor

Ícaro Sampaio

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Editor e Professor do AfyaEndocrinopapers
Professor de endocrinologia da Medcel
Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife

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