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Reposição de testosterona e a próstata: novas evidências

Escrito por Erik Trovao

A relação entre terapia de reposição de testosterona TRT) e o risco de câncer de próstata ainda não é completamente entendido. De qualquer modo, as principais diretrizes sobre o tema contraindicam a terapia em homens com história ou alto risco de câncer de próstata.

Neste contexto, a realização do TRAVERSE trial, que teve como objetivo principal avaliar a segurança cardiovascular da TRT, acabou sendo uma oportunidade para também avaliar o risco de câncer e de complicações prostáticas. Em dezembro de 2023, tivemos a publicação dos resultados deste braço do TRAVERSE.

Um total de 5204 homens com hipogonadismo (e com doença cardiovascular prévia ou alto risco cardiovascular) foram randomizados para receber testosterona em gel ou placebo. Foram excluídos homens com PSA acima de 3,0 mg/ml (pelo maior risco de terem câncer de próstata) e aqueles com IPSS (International Prostate Symptom Score) acima de 19 (este é um escore que avalia a gravidade de sintomas urinários obstrutivos).

O desfecho primário do estudo foi a incidência de câncer de próstata de alto grau. Como desfecho secundário, foram avaliados a incidência de: qualquer câncer de próstata, retenção urinária aguda, qualquer procedimento prostático invasivo, biópsia prostática e novo tratamento farmacológico.

A idade média foi de 63,3 anos e o tempo médio de seguimento foi de 21,8 meses. Não houve diferença na incidência de câncer de próstata entre o grupo em TRT e o placebo. Da mesma forma, quando analisado os desfechos secundários, não houve diferença entre os dois grupos.

Como esperado, os níveis de PSA aumentaram mais entre aqueles em uso da terapia de reposição de testosterona do que no grupo placebo, mas não houve diferença quando analisado mudanças no IPSS.

Este estudo veio lançar luz sobre a questão da segurança prostática da TRT, um receio comum entre médicos e pacientes. E mostrou segurança da reposição testosterona transdérmica, mesmo entre homens mais idosos. Importante salientar que, obviamente, foram excluídos aqueles pacientes que previamente já tinham um risco mais alto de desenvolver o câncer de próstata.



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Sobre o autor

Erik Trovao

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